Não se fazem mais comédias românticas como antigamente. Pelo menos quando nos baseamos na pobreza da biblioteca cinematográfica hollywoodiana, onde todos os récordes de bilheteria vão para os "American Pie" e "Todo Mundo em Pânico" da vida, que só focalizam o sexo adolescente como fonte de riso. Americano é realmente limitado demais pra ser parâmetro quando - graças a Deus - ainda temos a riqueza européia para salvar o cinema no mundo. E Goldfish Memory é uma comédia irlandesa, inteligente, que aborda sutilmente o amor e a sexualidade sem apelar para o infantilismo americano, e ainda leva músicas de Tom Jobim em sua trilha sonora!
Tom é um professor que gosta de conquistar as alunas comparando a capacidade de amar dos humanos com a mente dos peixinhos dourados, que só possuem três segundos de memória e, rapidamente, esquecem o momento anterior. A cada volta no aquário, tudo torna-se novo e é como se ele até tivesse vendo o outro peixinho pela primeira vez! "A cada novo namoro vive-se o amor como da primeira vez", diz ele. Tudo é novo e excitante, esquecendo-se as mágoas e decepções passadas. Com esta teoria, Tom conquista muitas meninas e é por isso que sua namorada, Clara, o encontra beijando Isolde. Clara vai então se consolar com Angie, uma jornalista lésbica que, quando esta aventura acaba, se consola com Red, seu melhor amigo gay. Red, por sua vez, se apaixona por David, um heterossexual com problemas de relacionamento que acaba o correspondendo, descartando sua namorada - que vai se apaixonar perdidamente por um dos amigos de Tom. E assim, numa ciranda, todos estes jovens habitantes de Dublin se apaixonam, se decepcionam e depois... começam tudo de novo! Dirigido por Elizabeth Gill, eis um filme que vale à pena assistir - veja o trailler no Youtube - e você pode encontrar em qualquer locadora, detestavelmente intitulado em português como "Todas as Cores do Amor".



