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| Escultura - Eliana Kertész |
Há alguns anos atrás era preciso muita determinação para conseguir uma requisição médica para realização de uma cirurgia bariátrica. Normalmente, pacientes com extremo caso de obesidade mórbida, que estavam correndo risco de morte, eram submetidos a um acompanhamento psicológico de um ano, antes do procedimento cirúrgico e também após, para que ele tivesse boas condições de lidar com as súbitas transformações que seu corpo sofreria em tão pouco tempo. Além disso, muita dieta, suplementação e acompanhamento nutricional constantes eram solicitados pra que o paciente pudesse suprir todas as deficiências do organismo. Os resultados são realmente impressionantes, mas outras intervenções cirúrgicas, na maioria dos casos, são necessárias para remover o excesso de pele que não retrai sua elasticidade, quando a gordura desaparece. Alguns efeitos colaterais são notórios, como queda de cabelo, rejeição a determinados tipos de alimentos, enjoos e até mesmo predisposição à dependência alcoólica, mas ainda assim era necessário a realização dessa cirurgia para salvar a vida de pessoas com problemas de saúde e automaticamente recuperar sua auto-estima.
Hoje em dia a redução de estômago se tornou tão popular que virou um procedimento estético e qualquer pessoa que procure um profissional de saúde especializado, vai ser, até muitas vezes, orientada a engordar, pois não possui o peso mínimo ideal para realização da mesma. Não é mais tão rigorosa a fiscalização do processo de acompanhamento psicológico, tanto que alguns pacientes nem o fazem, alegando ser desnecessário e mesmo com todos os riscos pós-operatórios, é impressionante a quantidade de pessoas que estão insatisfeitas com o seu peso/corpo e recorrem à cirurgia de redução de estômago, devido à velocidade com que se obtém resultados visíveis, mesmo que sejam casos simples, solucionáveis com reeducação alimentar e muita determinação, o que levaria mais tempo. As pessoas não querem saber se vão ter determinadas complicações, elas querem resultado imediato, deseperadamente. O que elas não sabem – e não sabem por falta de orientação profissional – é que é um procedimento irreversível e exige uma alimentação regrada, prática constante de exercícios físicos e muita cautela, principalmente com ingestão de bebida alcóolica.
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| Escultura - Eliana Kertész |
O que me preocupa de verdade é ver amigos meus que se submetem a essa cirurgia e emagrecem, mas continuam com cabeça de gordo, com vícios alimentares e não respeitam os limites do próprio corpo, querem viver desesperadamente como se não houvesse amanhã, compensando o tempo “perdido” quando eram complexados. É muito delicado porque alguns até chegam a engordar novamente e toda a expectativa e investimento vão por água abaixo. Aí passam a ter transtornos psicológicos ainda maiores porque acreditaram que o único método que realmente acabaria com todos os seu problemas falhou e agora não têm mais ao que recorrer. Tudo isso por falta de orientação adequada. Conheço pessoas que foram gordas e conseguiram ter o mesmos resultados satisfatórios, apenas com dieta, exercícios físicos e reeducação alimentar. Determinação, que não necessita de mutilação, não debilita o organismo e não desenvolve uma série de transtornos obsessivos compulsivos. Sou contra a cirurgia bariátrica devido à forma como ela foi banalizada e porque existem maneiras mais saudáveis de se recuperar a auto-estima. O que falta é investimento do Governo, principalmente para com os profissionais de Educação Física que estão completamente prostituídos em academias desportivas, sem nenhuma valorização e reconhecimento e nutricionistas desempregados, ao invés de serem contratados para orientar a população a como ter hábitos alimentares saudáveis. E viva uma população mais "bonita" e mais doente.
Um comentário:
Amei! Voce escreve tao bem... =)Voce deveria aproveitar mais os seus talentos. hehehe
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